quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Vai entender...

O ser humano é engraçado
Gosta de receber elogios
Mas, quando alguém lhe critica
Seu ego fica vazio.

Muitas vezes se comporta
como estivesse acima de tudo
Mas, quando é contrariado
Fica assustado, a mercê do perigo.

Quando é inseguro
Não há nada que se fale para  autoestima alavancar
Sente medo de tudo e nada sabe opinar
Fica fechado na concha
Esperando o tempo melhorar.

O ser humano é imprevisível
Ri da desgraça alheia
Chora quando deve rir
Ri quando deve chorar
Vai entender...

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Lá no Fundo

Um dia resolvi olhar pra dentro de mim
Procurando sei lá o que…
Primeiro fui remexendo as tristezas
Encontrei dores, lágrimas, edesilusões
Cansada resolvi dar uma olhada nas alegrias
Encontrei gargalhadas, milhares de abraços e beijos e

palavras de amor
Aquelas coisas que reconfortam a alma e o coração.
Mas uma gavetinha escondida lá no fundo me chamou a atenção
Fui ver o que tinha alí
Saudade…é isso mesmo
Lá bem no fundo, quase imperceptível, lembranças e recordações
Se amontoavam
Só que nessa eu não quis mexer, achei melhor deixá-la  lá…quietinha
Feito saudade de algo ou alguém que não se quer esquecer.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Poeta

Alegria, inquietação, medo, amor, solidão, paz, esses e tantos outros sentimentos são desvendados por eles, os poetas.
Desbravadores da alma humana. Artistas da emoção e protagonistas das venturas e desventuras da vida.
Versando, proseando, rimando as agruras e temperanças do mundo.
Poetas são assim, percebem o mundo e nem sempre são percebidos por ele.
Conhecidos ou anônimos, todos fazem da palavra a sua arma e a sua voz.
Nas páginas de jornais, revistas, livros, ou até mesmo, nos muros e pedaços de papeis jogados ao chão.
Escrevem sobre tudo, verdades, mentiras, lampejos de memórias. Soltos no tempo ou encrustados no coração.
Poetas são assim sobreviventes em meio à multidão.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Despertar de um sonho

Era uma tarde linda de verão. Olhava pela janela do 14º andar do edifício onde trabalhava por mais de 25 anos. Parei um instante para refletir como consegui chegar até ali. Dificuldades, obstáculos enfrentei pelo caminho, mas não desisti.
Diante daquela janela, parecia que um filme passava diante de meus olhos.
Lembrei da minha infância sofrida e das privações, que não foram poucas. Mas, apesar de tudo, também teve muito amor e esperança.
Ainda menino me lembro de correr descalço pelas ruas esburacadas e barrentas, com uma pipa colorida na mão, que acabara de fazer escondido de minha mãe. Ela não gostava de me ver brincando na rua.
Na adolescência, com a rebeldia inerente à idade, saia de casa para passear sem ter hora para voltar. Isso, deixava meus pais preocupados, velando pelo meu retorno com segurança. Pedindo à Deus que nada de mau me acontecesse.
Adulto, já formado e trabalhando no escritório, passava os dias trancado numa sala em meio a telefonemas e e-mails. Não reparei como o tempo passou tão rápido, só me dei conta quanto um certo dia me olhei no espelho e percebi que meus cabelos já estavam praticamente brancos.
Durante todo esse tempo vivi sem ter medo de me arrepender, só queria crescer profissionalmente, ter um bom emprego, uma boa casa, um bom carro.
Agora, olhando para o horizonte, em pé em frente essa janela, me dei conta que despertei de um sonho e fechei a caixa das lembranças e saudades.
A realidade era que já tinha mais de 80 anos e a janela pela qual olhava o mundo, era do hospital em que passei os últimos meses de minha vida.