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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Descobrindo-me

Perdoa-me se pareço infantil
É que às vezes, sinto-me como se ainda tivesse cinco anos de idade
Talvez seja porque estou cansada de brincar de gente grande
Ou simplesmente a utilize como uma armadura para me afastar das preocupações e responsabilidades
Sabe como é...as crianças não se preocupam com o dia de amanhã
Elas apenas vivem o presente, um dia de cada vez
E se revelam puras, dóceis e bem humoradas
Talvez seja isso que quero resgastar
Assim o dia a dia seja mais fácil e menos complicado
Não que eu queira viver a margem da realidade
Mas esses momentos me apaziguam a alma e o coração
Se estou certa ou errada...ainda estou descobrindo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Despertar de um sonho

Era uma tarde linda de verão. Olhava pela janela do 14º andar do edifício onde trabalhava por mais de 25 anos. Parei um instante para refletir como consegui chegar até ali. Dificuldades, obstáculos enfrentei pelo caminho, mas não desisti.
Diante daquela janela, parecia que um filme passava diante de meus olhos.
Lembrei da minha infância sofrida e das privações, que não foram poucas. Mas, apesar de tudo, também teve muito amor e esperança.
Ainda menino me lembro de correr descalço pelas ruas esburacadas e barrentas, com uma pipa colorida na mão, que acabara de fazer escondido de minha mãe. Ela não gostava de me ver brincando na rua.
Na adolescência, com a rebeldia inerente à idade, saia de casa para passear sem ter hora para voltar. Isso, deixava meus pais preocupados, velando pelo meu retorno com segurança. Pedindo à Deus que nada de mau me acontecesse.
Adulto, já formado e trabalhando no escritório, passava os dias trancado numa sala em meio a telefonemas e e-mails. Não reparei como o tempo passou tão rápido, só me dei conta quanto um certo dia me olhei no espelho e percebi que meus cabelos já estavam praticamente brancos.
Durante todo esse tempo vivi sem ter medo de me arrepender, só queria crescer profissionalmente, ter um bom emprego, uma boa casa, um bom carro.
Agora, olhando para o horizonte, em pé em frente essa janela, me dei conta que despertei de um sonho e fechei a caixa das lembranças e saudades.
A realidade era que já tinha mais de 80 anos e a janela pela qual olhava o mundo, era do hospital em que passei os últimos meses de minha vida.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Despertar

Era apenas uma criança, como tantas outras. Gostava de brincar com os amigos, de pique-esconde, bicicleta, futebol e queimada. Sempre acordava cedo, mal sentava-se à mesa para o café e já saia correndo em direção a rua para encontrar os coleguinhas.
Brincavam a tarde toda e no final do dia, já exauridos de um dia de estripolias, voltavam para suas casas.
Vida de criança! sem preocupações e responsabilidades. Ainda mais porque estavam de férias e só pensavam em curtir e se divertir. Certa manhã, o ritual para um deles parecia ser o mesmo: acordou, tomou café e saiu. Contudo, ao chegar na rua onde brincava com os amigos percebeu que o local estava diferente, mudado. Os paralelepípedos agora davam lugar a um asfalto novo e recém colocado, os postes eram diferentes e as luzes pareciam maiores, o bar da esquina onde costuma comprar doces, agora, se transformara em uma lan house.
Era estranho para ele olhar o lugar onde passou boa parte de sua infância e não reconhecê-lo mais. Com tristeza e sem compreender bem o que havia acontecido, voltou para casa e perguntou a mãe o que tinha acontecido. Por que as coisas tinham mudado. A mãe, sem saber ao certo, qual seria a reação dele, o abraçou com ternura, sentou ao seu lado no sofá e num tom acolhedor explicou:
- Meu filho, há muito tempo atrás você sofreu um acidente e ficou em coma por muito anos. Os seus amigos de infância, cresceram e agora são adultos, cada um tomou um rumo na vida. Atônito e sem conseguir assimilar direito todas as palavras da mãe. Ele entrou no quarto, sentou-se por alguns minutos e depois de refeito da notícia, tomou coragem de se olhar no espelho. A imagem daquele homem já adulto, o fez por alguns instantes relembrar o passado, das brincadeiras e dos amigos de infância. Nesse momento ele se deu conta, que não poderia desperdiçar nem um segundo da nova chance que lhe fora dada. Chegara a hora de viver!