quinta-feira, 1 de março de 2012

Despertar de um sonho

Era uma tarde linda de verão. Olhava pela janela do 14º andar do edifício onde trabalhava por mais de 25 anos. Parei um instante para refletir como consegui chegar até ali. Dificuldades, obstáculos enfrentei pelo caminho, mas não desisti.
Diante daquela janela, parecia que um filme passava diante de meus olhos.
Lembrei da minha infância sofrida e das privações, que não foram poucas. Mas, apesar de tudo, também teve muito amor e esperança.
Ainda menino me lembro de correr descalço pelas ruas esburacadas e barrentas, com uma pipa colorida na mão, que acabara de fazer escondido de minha mãe. Ela não gostava de me ver brincando na rua.
Na adolescência, com a rebeldia inerente à idade, saia de casa para passear sem ter hora para voltar. Isso, deixava meus pais preocupados, velando pelo meu retorno com segurança. Pedindo à Deus que nada de mau me acontecesse.
Adulto, já formado e trabalhando no escritório, passava os dias trancado numa sala em meio a telefonemas e e-mails. Não reparei como o tempo passou tão rápido, só me dei conta quanto um certo dia me olhei no espelho e percebi que meus cabelos já estavam praticamente brancos.
Durante todo esse tempo vivi sem ter medo de me arrepender, só queria crescer profissionalmente, ter um bom emprego, uma boa casa, um bom carro.
Agora, olhando para o horizonte, em pé em frente essa janela, me dei conta que despertei de um sonho e fechei a caixa das lembranças e saudades.
A realidade era que já tinha mais de 80 anos e a janela pela qual olhava o mundo, era do hospital em que passei os últimos meses de minha vida.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sempre em frente

Vai...
Liberta-se do eu que te aprisiona
Joga fora as vestes que te cobrem
Remove a tatuagem da prisão que te envolve
Olha para frente
Esquece o tempo passado
Ruma em direção ao futuro
Não queiras viver de memórias e ilusões
A vida é um trem sempre em movimento
Às vezes ele pára em algumas estações
Mas sempre continua a viagem

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fantasmas da madrugada

Era tarde, caminhava pela calçada a passos largos, olhava para trás o tempo todo, para ter certeza que não estava sendo seguida. Tinha medo de ser surpreendida por algum estranho, já ouvira falar de ataques por aqueles lados. Apesar disso, por mais rápido que andasse, O destino parecia ficar cada vez mais longe. Chegando na esquina de um cruzamento, olhou para os dois lados, ia atravessar a rua, mas de repente, um carro saido sabe-se lá de onde, cruzou o caminho levando consigo, o pouco do ar que ainda lhe restava nos pulmões. Tinha a impressão de ter parado de respirar por alguns segundos... foi apenas um susto. Afinal, naquela rua não se via uma alma viva… fazia tempo. Olhou no relógio e se deu conta que já passava das três da manhã, apertou o passo, queria chegar logo em casa. Faltando pouco mais de um quilômetro para terminar, aquela que parecia, uma maratona e não uma simples caminhada, colocou a mão na bolsa a procura da chave de casa. Não queria perder tempo para abrir a porta, afinal, a rua estava deserta. Procurou infinitamente, vasculhando todos os bolsos e ziperes existentes em sua bolsa, numa ânsia desesperada…nada encontrou. Apenas um minuto se passara, entre a procura da chave e a lembrança do barzinho, onde há algumas horas bebia com amigos. Sabia que tinha estado no toalette e aberto a bolsa para retocar o batom. Podia a chave ter caído ao chão sem que ela percebesse? Esse era o seu medo e seu pesadelo. Desistiu de procurar, tinha que voltar ao barzinho, refazer todo o trajeto, mergulhar na escuridão e no silêncio da madrugada... exorcizando seus fantasmas.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Arrumando

Estou remexendo e reconstruindo a desordem interna; Pensamentos, sonhos e memórias...tudo emaranhado; Botando ordem na desordem; Tentando encontrar o fio da meada.