quarta-feira, 17 de julho de 2013

Acelerado

Acelerado
Bombeando todas as emoções
Num reflexo desenfreado
Colidindo com bolhas de sabão
Surfando em altas marés
Pulando de trampolins     
Mudando o curso das águas
Ziguezagueando entre os abismos
Coletando fragmentos de orvalhos
Num instante furacão
No outro moribundo
Pensando sem falar
Falando sem pensar
Destruindo ilusões

Rodeado de utopias.

terça-feira, 12 de março de 2013

Chaminé



Eram frases desconectas proferidas pelo narrador
Na ânsia de desvendar o que tinha acontecido
Frase a frase o mistério ia sendo revelado
As pessoas ouviam estupefatas
Não entendiam direito como aquilo havia acontecido
Pareciam não acreditar ou fingiam não entender
Ainda assim, se mantinham imóveis diante de tal situação
Queriam saber o desfecho, o que realmente tinha ocorrido
Sem demora, o narrador se enveredou pelas artimanhas do caso
Foi descrevendo devagar e pausadamente cada cena e detalhe
Demonstrando conhecimento
Sem perder mais tempo, foi direto ao ponto
O gato simplesmente entrou na chaminé da casa do vizinho e ficou preso
Os bombeiros foram chamados e iniciaram o resgate
Foi difícil tirar o bichano de lá, estressado e assustado o pequeno deu muito trabalho
Depois de quase duas horas, o felino foi salvo, estava tonto e cheio de foligem
O caso, enfim, estava resolvido.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sem explicação


Era apenas uma canção antiga. Mas a melodia ecoava em meus ouvidos como o tilintar das cordas do violão. Cada sílaba, palavra e verso eram como uma brisa quietante. O compasso marcado das notas enchia o meu coração de uma súbita paz. Cada palavra proferida soava como mel em meus ouvidos. Meu corpo sentia o toque, a melodia, a letra da música. Talvez, porque minha alma clamasse por versos e meu coração desejasse ouvi-los. Não sei explicar, só consegui senti-las...ali sentada na varanda.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Vestido vermelho

Ah! Como adorava o vestido vermelho. Com suas flores brancas e gola engomada. Quando o vestia se sentia uma princesa. Mamãe dizia que era para usar em ocasiões especiais. Mas se fosse por ela, viveria vestida com ele. Contava os dias para usá-lo e mostrá-lo a todo mundo. Afinal, queria mesmo é exibi-lo, desfilar nas ruas do bairro e escutar os elogios.

Sabia que ia passar calor, afinal, o verão estava a todo vapor. Mas isso não a preocupava, afinal de contas, era para fazer inveja as meninas do bairro. Chegou o grande dia, era domingo, dia de missa. A ansiedade estava à flor da pele. Colocou o vestido, sua mãe fez as tranças em seu cabelo longo e volumoso e mais do que depressa, a menina correu para se olhar no espelho. Por alguns segundos ficou parada, estática, não acreditava no que estava vendo. Como era lindo, como estava linda dentro dele.

Foram caminhando até a igreja, seu pai ia à frente. Ela, sua mãe e suas irmãs logo atrás. A igreja ficava apenas duas quadras de sua casa. No trajeto, podiam-se ouvir os elogios das pessoas que a encontravam pelo caminho. Uns diziam: Mas que vestido mais bonito! Essa menina parece uma princesa! E era bem assim... quem o via, não deixava de elogiá-lo.

Na igreja fez questão de sentar-se na primeira fileira, queria que todos a vissem com o belo traje. Lá estava ela, sendo o centro das atenções, toda orgulhosa e faceira. Ao término da missa, foi correndo para a sacristia pedir a benção ao padre e esperar por um elogio do sacerdote. Saiu de lá toda satisfeita com os elogios que recebeu.

Chegando em casa, tirou o vestido e deixou-o em cima da cama. Colocou uma roupa para brincar e antes de sair do quarto, deu mais uma olhadinha nele, correu para o quintal e foi se divertir com os primos. Era domingo, a família tinha o hábito de se reunir para o almoço depois da missa. As crianças ficaram brincando no quintal a manhã toda. A essa altura, o vestido vermelho já não era mais novidade, tornou-se apenas, mais uma peça em seu guarda-roupa.