quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Amigo Carlos

Falar o que se pensa  é coisa fácil
Se escolhe as palavras
O tom da voz
O melhor momento
A pessoa a ouvir
Se fala e pronto.
Pode magoar, alegrar, assustar, agredir... enfim
Mas um amigo me disse uma vez
“Difícil é expressar por gestos e
atitudes  o que realmente queremos dizer”.
Cheguei à conclusão que ele tem razão
Obrigada, amigo Carlos Drummond de Andrade.

Pessimismo


Pessimismo é assim

Igual a perfume barato

Que perde a fragrância rapidamente

Igual a carro velho

Que para em cada esquina

Igual a café amargo

Que ao primeiro gole amarga como fel

Igual a chinelo gasto

Que a cada passo deixa seu rastro

Igual a coração partido

Que lança a alma ao fundo do poço

Igual a vinho barato

Que embriaga o corpo, cabeça e coração

Igual a desesperança

Que  apaga o brilho daqueles que não ousam recomeçar.

 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Aninha


Quando nasci minha mae disse ao meu pai

Vou colocar o nome dela de Ana Lúcia,

por causa da personagem da novela,

atriz protagonista, moça bonita e recatada.

Ainda na infância, me tornei apenas Aninha,

A menina levada da breca, parecida com um moleque

Subia em árvores, empinava pipa, jogava futebol

Era um tal de Aninhaaaaaaaaa, Aninhaaaaaaaaa

Desce daí menina!

A vizinha que o diga.

Dizia para a mamãe, essa menina não pára um segundo.

Com o tempo a peraltice deu lugar a sobriedade

Aninha ficou menina comportada e estudiosa

Quase um anjinho…risos.

Mas de vez em quando, ela dá as caras

Faz peraltices, bagunça o coreto e depois

Sai de mansinho como se nada tivesse acontecido

Coisas de criança, coisas de muleca…coisas de Aninha.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Fôlego

De repente os poros se dilataram
Era o perfume dele entrando em minhas narinas
Um soluço intrépido invadiu a minha alma
Não queria acreditar
Simplesmente o tempo não passara
Senti que me faltava o ar
As pernas bambearam
A respiração ficou ofegante
Uma correnteza  forte me sucumbia
Uma gota de suor escorreu pela face
As mãos estremecidas dificultavam o disfarce
Ouvi o ranger da porta
O coração acelerou
Ele entrou...me olhou e sorriu.